Cozinha Crioula
| Camarão com quiabo |
As lojas de Nova Orleans eram luxuosas e empolgantes, e fazer compras com Rhett era uma aventura. Comer fora com ele era outra aventura, ainda mais empolgante que fazer compras, pois ele sabia o que pedir e como devia ser preparado. Os vinhos, licores e champanhes de Nova Orleans eram novos e excitantes para ela, familiarizada apenas com o vinho caseiro de amoras ou uvas e com o conhaque “antidesmaio” de tia Pitty; mas, ah, a comida que Rhett pedia! Melhor que tudo em Nova Orleans era a comida. Lembrando-se dos amargos dias de fome em Tara e da penúria mais recente, Scarlett sentia que nunca comeria o bastante desses pratos maravilhosos. Camarões com quiabo à creole, pombos ao vinho e ostras com molho branco em empadinhas crocantes, cogumelos, pães doces, fígado de peru, peixe assado em papel-manteiga com limões. Seu apetite nunca diminuía, pois, sempre que se lembrava dos eternos amendoins, ervilhas e batatas-doces de Tara, sentia necessidade de se empanturrar novamente com os pratos da culinária crioula.
— Você come como se cada refeição fosse a última — disse Rhett. — Não raspe o prato, Scarlett. Tenho certeza de que há mais na cozinha. Basta pedir ao garçom. Se não deixar de ser tão gulosa, vai ficar gorda como as mulheres cubanas, e aí me divorcio.
Ela só mostrou a língua para ele e pediu outro confeito, cheio de chocolate e recheado de merengue.
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E o Vento Levou
Margaret Mitchell
1936